Ainda, aindrey

Bem, tenho sido consumido por uma necessidade de perseguir os passos e rastros (virtuais) de determinada pessoa, e isso me incomoda.

Começando do começo: eu conheci uma pessoa, me apeguei, afeiçoei e apaixonei. Então, como a pessoa não banca o meu sim, eu mandei ela embora. Sabe, daquele tipo de pessoa que troveja e não chove? Que fica amaciando a gente toda a vida, e quando chegamos num ultimato, a pessoa finge demência, que nada está acontecendo, que é normal conversar todo dia e ser exageradamente gentil e cuidadora? É essa a pessoa.

Então, eu não exatamente perdi, eu me fiz perder este vínculo. No fato, eu realmente mandei embora. Disse: “não fale mais comigo”.

E perder, bem, perder é complicado. Ainda mais quando você precisa perder. Quando envolve mais de um indivíduo, você não pode criar uma situação, você precisa respeitar as situações alheias. E a situação dele era: não é isso que você está pensando.

Então eu fico observando, de longe, como ele está. Pro meu azar, ele é fechado. Fica tudo com ele, não compartilha, não expressa. E no que ele decide abrir, é pior pra mim: ele se abre só sobre as coisas que eu odeio nele.

Aí hoje eu fiz o certo: em agonia, comecei a rabiscar o caderninho, e as palavras foram saindo.

“(…) Agora eu sei porque eu sinto esse ódio. É porque estou te perdendo. Não estou podendo te abordar e te dizer qualquer coisa. Dizer que você está equivocado, que está errado, discutir com você, te mostrar como você está sendo um babaca. E eu tô com esse ódio porque isso é bom pra você. Não me ter mais por perto é bom pra você, é melhor, mais leve. É sabido que eu sou uma carga pesada, e negativa. No fundo, talvez o ódio que eu pense ser de você, seja de mim mesmo. Ódio de não conseguir me fazer entender. De não conseguir te mostrar onde dói em mim, sem que eu te machuque também”.

Bem, caindo pra conclusões negativas e realistas, caí fundo nessa. Não cheguei em nenhuma conclusão. Quando terminei esse manuscrito, vim aqui sintetizar e organizar. Até porque minha letra é horrível. No fim, fico com essa música aqui, uma das últimas do disco que me acompanhou durante o parto desse texto. Disparado, um dos mais tristes do ano. Nada difícil, dado que não escrevi quase nada. Mas vou seguindo e tentando me expressar mais.

Atualização de 2026: ele ta praticamente casado. Visto de fora, parece que foi bem fácil pra ele construir uma vida.

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